A aviação militar portuguesa deu os primeiros passos em 1912, mas até agora nunca operou uma aeronave de produção nacional.
Isto poderá mudar num futuro próximo, uma vez que Portugal tem planos para aquela que será o primeiro avião concebido e fabricado naquele país. O projeto foi assumido pelo consórcio Aero.Next Portugal, que reúne 36 entidades e que "visa desenvolver, industrializar e operar a partir de Portugal um programa aeronáutico completo que posicionará o país entre o seleto grupo de integradores finais de aeronaves, participando em toda a a cadeia de valor, desde o design e engenharia até aos serviços de pós-produção (MRO)", de acordo com a agência pública AICEP Portugal Global.
O consórcio é liderado pela Empresa de Engenharia e Aeronáutica (EEA), e os seus projetos incluem uma aeronave regional ligeira (LUS-222) e duas aeronaves não tripuladas (ARX, um drone de vigilância marítima e costeira) e o ET15, um drone para transporte de material médico em situações de emergência). A EAA está atualmente envolvida no bem-sucedido projeto Embraer C-390 Millennium, uma aeronave brasileira bimotora de transporte tático semelhante em tamanho ao C-130 Hercules, cujos compradores incluem Brasil, Portugal, Áustria, Coreia do Sul, República Checa, Eslováquia, Holanda, Hungria e Suécia.
No seu site, Aero.Next Portugal mostra as imagens que pode ver aqui do LUS-222 e oferece algumas informações sobre este avião de transporte: terá capacidade para 19 passageiros ou 2.000 kg de carga e uma autonomia de 2.000 km.
Além disso, o LUS-222 aspira a ser um avião bimotor STOL, ou seja, capaz de descolar e aterrar em pistas curtas e desprevenidas. Além disso, o objetivo é criar um avião com baixo peso e de fácil manutenção. Tanto estas características como a sua aparência exterior lhe serão muito familiares. De facto, alguns órgãos de comunicação social apelidaram o LUS-222 de "Aviocar Português", devido à sua semelhança com o CASA C-212 Aviocar, o maior sucesso de vendas da indústria aeronáutica espanhola, adquirido por 31 operadores militares.
A Força Aérea Portuguesa (FAP) foi um dos operadores do Aviocar. Adquiriu 20 C-212 em duas variantes: C-212-100A1 (4 unidades) e 16 C-212-100-A2P (16 unidades). Em 2011, Portugal aposentou os seus C-212 e substituiu-os por outro modelo espanhol de sucesso: o CASA C-295, adquirindo 7 aeronaves de transporte tático C-295M e 5 aeronaves de patrulha marítima C-295 Persuader. No entanto, o C-295 é um avião de transporte tático médio e, em algumas missões, uma aeronave de transporte leve como o Aviocar faz falta. É esta a lacuna que o LUS-222 pretende preencher. Desejo aos nossos irmãos portugueses muito sucesso nesta iniciativa, que acompanharei de perto a partir daqui.
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Imagens: Aero.Next Portugal.
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